Para a Festa…

M. Valentim da Costa, Romaria Anual de 1930

Senhora Aparecida, hoje tens festa em casa,
na Ermida gracil que o sol aloira e abrasa.

Senhora Aparecida, a teus pés hoje vêem
lindas moças cristãs com júbilo também.

Senhora Aparecida, e a que vem este povo
com os descantes seus mais uma vez de novo?

Senhora Aparecida, e para que é assim
que esta multidão vem com tanto frenesim?

Senhora Aparecida, estes festejos lindos
porque se fazem pois, com encantos infindos?

Senhora Aparecida, este gran movimento
que quer dizer no povo, este contentamento?

Senhora Aparecida, essas luzes e flores
as lentejoilas de oiro e prata e os esplendores.

Senhora Aparecida, em que brilhais no meio,
nesse altar, nesse Andor, que quer dizer tanto enleio?

Senhora Aparecida, as prendas do bazar,
as iluminações, as músicas a tocar.

Senhora Aparecida, as promessas sem conta,
porque tudo isto enfim, isto que a tanto monta?

Senhora Aparecida, é a bendita crença,
a doce tradição, a luz do Céu imensa.

Senhora Aparecida, um monge que te amava,
que te trazia ao peito e por ti esmolava.

Senhora Aparecida, esse meigo Ermitão,
fez com que desses nome à linda Povoação.

Senhora Aparecida, abriga-a noite e dia,
guarda-a no coração, Virgem Santa Maria.